Esses dias - perto do aniversário do bookgram- eu vi uma menina com um reel simples comemorando que o instagram dela estava completando 3 anos e ela nunca tinha tentado ser uma influencer e isso alugou um triplex na minha cabeça.
Quando comecei o blog ainda tinha muito daquela história de criar uma página por motivo nenhum e ver ela fazendo sucesso, mas hoje em dia sinto que a maior parte das contas já é criada com o propósito de ser alguma coisa, de crescer e de chegar em algum lugar. E tudo bem, sabe? Mas tenho pensado muito sobre o que tudo isso significa para mim. e acho que eventualmente todo mundo que cria alguma coisa na internet vai pensar nisso... O sonho de fazer parcerias com editoras (no meu caso), a pressão por querer mais números para ser notada, a produção de conteúdo só para gerar visualização, a pressão para ler aquilo que tá todo mundo falando, são coisas que as vezes não vemos as pessoas falando, mas eu sei e você sabe, está lá.
Foi nesse contexto que o livro Siga em frente do Austin Kleon chegou e abalou todas as estruturas que já estavam balançadas. Autor de "Roube como um artista" e "Mostre o seu trabalho" chega com uma versão de " E agora? o que fazemos com tudo isso?" que me fez ficar completamente embasbacada e querer marcar tudo.
Nesse livro Austin fala do processo criativo de uma maneira diferente. Ele fala como um artista que descobriu que criar arte tem desafios mesmo depois que você já um artista E alias ele propõem focar no verbo e não no substantivo. Fazer arte. Escrever, desenhar, pintar antes de ser escritor, desenhista ou pintor. Criar uma rotina par que seu trabalho flua, não para seguir regras que mais temos por ai, mas para você saber para onde está indo. Ele fala sobe criar um diário para rastrear a sua arte,
sobre como criar arte de uma maneira saudável de forma geral.
E o que mais me chamou atenção mesmo
é o que ele fala sobre o mercado e como só produzir arte por conta do dinheiro é nocivo.
"Somos treinados a elogiar nossos amigos com termos de mercado.
No minuto em que alguém mostra talento para qualquer coisa, sugerimos que se torne uma profissão. É nosso melhor elogio: dizer a alguém que é tão bom no que ama fazer que poderia ganhar dinheiro com isso.
Antes, tínhamos hobbies; agora temos "bicos". Conforme a economia piora, as redes de segurança se rompem e os trabalhos estáveis desaparecem, as atividades de tempo livre que nos acalmavam e distraíam do trabalho e davam mais sentido à vida agora nos são apresentadas como fontes de renda em potencial, ou alternativas para um emprego tradicional."
Estamos exaustos, sabe?
Eu me sinto exausta de produzir conteúdo para um coisa que deveria ser uma diversão pra mim, e não me entenda mal, o bookgram do jeito que ele é me ajudou muito quando eu precisava focar em outra coisa, mas o problema é que começa a fica pesado e desistimos. Chegamos ao um ponto que temos mais um trabalho. E é aquilo: trabalhar com o que se ama é o melhor jeito de odiar essa coisa.
Austin fala sobre tentarmos fazer as coisas e não divulgar para todo mundo, ou fazer porque você quer, por prazer para que volte ser a ser um hobby, se guardar- nem que seja uma partezinha -do mercado. Se guadar dos números e como eles estão nos fazendo mal.
Dinheiro não é a única medida que pode corromper a prática criativa. Digitalizar o trabalho e compartilhá-lo na internet significa sujeitá-lo ao mundo da métrica online: visitas, curtidas, favoritos, compartilhamentos, tuites, blogs, seguidores, muito mais.
É fácil se vidrar tanto na métrica online quanto no dinheiro. É tentador usar esses dados para decidir no que trabalhar, sem considerar a superficialidade da métrica em si. A classificação da Amazon não diz se alguém leu seu livro duas vezes e amou tanto que emprestou para os amigos. Curtidas do Instagram não dizem se alguém pensou numa imagem pelo mês todo. Contagens de visualização não são iguais aos seres humanos que aparecem para dançar numa apresentação ao vivo.
E isso me fez lembrar da menina que nunca tentou virar influencer ela só queria compartilhar as leituras, postar fotos bonitas, e se divertir. Quanto disso faz parte da nossa vivência? Da minha bem pouco. Sinto falta dos blogs, de ler newsletter, do conteúdo que é produzido devagar, que é pensado e vem do coração. Eu sinto falta de escrever por hobby e sem a pressão de ter que entregar algo não só para pessoas, mas para algoritmo. De poder ser ruim em uma coisa ou melhor: não querer ser boa o tempo todo.
As redes sociais nos transformaram todos em políticos. Em marcas.Todo mundo é uma marca agora e a pior coisa do mundo é ser inconsistente.Só que ser consistente com a marca implica em ter 100% de certeza de quem é e do que faz, sendo que certeza, na arte e na vida, não só é totalmente supervalorizada, como também bloqueia a descoberta.
O livro todo em si é muuito bom, todos os caminhos que eles percorrem e sobe arte que podem ser as mais diversas possíveis. Ele foi um respiro de "olha acho que não tá todo mundo doido sobre isso, tem gente que tá se sentindo como eu" um sobre de consciência de uma maneira bem divertida e leve. Precisava olhar para as coisas que eu produzo de uma forma diferente. Estar na internet hoje exige cada vez mais nossa atenção, nossos interesses, nossos hobbys nossas almas. Poder dar uma pausa e pensr sobre quais caminhos se quer seguir de maneira simples e clara é quase como soltar a respiração que se está segurando.
E ai? Vamos criar mais arte por hobby?
Nota:5/5 - MARAVILHOSO!