A minha quarta leitura do ano foi "Daisy Jones and the Six" um livro escrito em formato de entrevista e vai se desenrolando em personagens contando a história da banda que tiveram nos anos 70 e como foi o caminho da ascensão e da queda. Um livro muito bem escrito, com personagens reais que te pegam pelo tom real colocando você naquelas situações. Um livro ótimo que vai sair como série agora em março.
Mas o que eu quero falar nesse post são das mulheres. Muitas mulheres são citadas, mas a maior parte pelos personagens masculinos que estavam transando com elas e são apenas mencionadas, mas temos 4 que são cruciais para o desenrolar da história: Daisy, Camila, Karen e Simone.
*atenção esse texto tem spoilers*
“Eu não tinha absolutamente nenhum interesse em ser a musa de outra pessoa. Eu não sou uma musa. Eu sou uma pessoa. Fim da porra da história.”
Daisy é a primeira a ser apresentada. Rica e bonita não parece ter nenhum problema na vida, execeto que os pais estão cagando e andando para ela e isso é uma das coisas que faz com que ela comece a frequentar bares e usar drogas - o que no começo é só para entrar na onda. A primeira amiga de verdade de Daisy é uma pessoa que ela mora por um tempo Simone. Sempre preocupada e no meio da música Simone é quase a unica mensão de familia - ou o mais perto disso - de Daisy e quase todos os momentso que ela aparece é para exaltar a amiga e salvá-la das situações em que ela se encontra. É para quem Daisy sempre liga quando se sente sozinha e vemos que ela se sente realmente triste e angustiada em ver sua amiga jogando a vida fora com as drogas, mas a deixa voar - e sempre sabendo que ela vai voltar.
Temos Karen a tecladista da banda The Six e Camila que são as persoangens apresentadas logo a seguir.
Karen é talentosa e querendo seguir um sonho em um mundo musical predominantemente masculino. Entra pro The Six e fica feliz dos meninos a respeitarem, mas já causando a paixonite de Graham. Em determinado momento da história acaba ficando com ele algumas vezes e ele se vê criando uma familia com ela - o que ela não quer - e após ficar gravida faz um aborto e tudo termina entre os dois.
E Camila, aquela que causa criticas e divide opiniões, que é a namorada de Billy e a mulher com quem ele se casa. Billy que é descrito como a fonte de desejo da maior parte das mulheres pelo seu charme e beleza trai Camila na primera parte do livro, logo após o casamento deles e da descoberta e da primeira gravides, entrando em um looping de drogas e bebidas. Camila o pega numa cena com mulheres e drogas e lhe dá um periodo, ele enfia o pé na jaca mais uma vez e nem vê a primeria filha nascer, mas com ajuda de seu produtor se interna em uma clinica de reabilitação.
Camila passa por toda essa fase com ele e se vê fazendo uma díficil escolha - mas o perdoa e segue junto. Quando Daisy aparece e se apaixona por seu marido ela vê tudo se desenrolando, mas permanece defendendo a sua familia.
No geral eu gostei muito, queria ouvir as músicas e sentir tudo aquilo que estava sendo exposto. Mas o que me levou a ler esse livro até o final foram as mulheres. Cada uma delas te conduz a muitos dilemas em que vivemos.
Daisy te mostra perdida, tendo tudo e sentindo falta daquilo que não é seu. Creio que em algum momentos todos vão se ver nessa posição. E ainda mostra a problemática das drogas - que em muitos momentos me deixou agoniada - de estar com pessoas do seu lado que não necessáriamente estão com você ou que só te levam mais para baixo.
Karen uma mulher que teve que lutar muito pelo seu sonho e não sai da minha cabeça a parte que se tivesse na prosição de Graham talvez quisesse ter filhos mostrando o impacto de uma criança na vida que ela planejou para si, e que ninguém ia mudar as coisas por ela, porque ela teria que mudar? Karen que apoia Daisy porque Daysi é muito mais do que só uma mulher numa banda, ela dava opiniões e tinha poder e isso importava e muito.
E o que mais me impactou foi o amor da Camila. O amor ao perdoar Billy porque tinha fé nele, o jeito que ela era peça chave na banda, sendo parte de todas as musicas, mas também com sua presença, com a forma que ela sempre compreendia. Ter ido na clínica com Karen, mesmo não sendo uma escolha que ela faria e principalmente a forma como ela falou com Daisy. Eu sei que muita gente pode julgar ela - e estou com medo de como isso pode ser abordado na série - mas eu sinto que ela era uma pessoa que protegia as pessoas que amava, que amava a propria vida e que foi um pilar firme para Billy. Isso foi certo com ela? Não sei dizer, mas ela lutou pelo o que queria e ajudou todos a sua volta de uma maneira gentil. Quando ela aparecia na história eu conseguia até sentir paz porque sabia que ela teria um impacto, mas que ela dava força para as outras pessoas.
No fim, cada uma da sua maneira, elas me levaram mais longe e me fizeram refletir sobre descobrir qual o meu caminho e como seguir até lá com os julgamentos, mas acima de tudo com amor. Amor de amizade ou com a familia que formamos.
E isso é lindo.
Adorei a leitura espero poder ler mais coisas da autora e ver ela levantando essas questões sultimente com personagens vivas e fortes. Ansiosa pela serie.
“E, não importa onde a gente esteja, ou que horas sejam, o mundo está no escuro e nós somos duas luzes piscando. Na mesma sintonia. Nenhuma das duas piscando sozinha”.